quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Coisas extras da terra.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
(H)A Deus virtual.
Às 18:12, naquele mesmo dia, resolvi, LITERALMENTE, instar outra manifestação de vida dele. Decidi, então, postar em seu mural, já que não aparecera naquela sexta-feira.
Pareceu dizer, e é uma fé que me conforta, que sim, do outro lado, há mistério e que ele não ia contar só para me aporrinhar, como era de praxe.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
A informação e seu valor legal.
Nota: o texto abaixo foi publicado no jornal A Gazeta de sábado (dia 28 de janeiro de 2012), sem a "Música a calhar", óbvio por diversos sentidos.
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Os matutinos de 18 de janeiro de 2012 deram destaque a fato que deteve a atenção mundial: os protestos por parte do Google, que inseriu uma tarja negra sobre seu inconizado logo; e o Wikipedia (em inglês),que ficou fora do ar durante todo aquele dia.
O alvo desses inconformismos foram dois projetos de leis que tramitavam no Congresso Norte Americano, denominados de Stop Online Piracy Act (SOPA) e o Protect IP Act (PIPA).
As grandes personalidades virtuais, Mark Zuckerberg, criador do Facebook, chamou SOPA de lei mal pensada e o Sr. Tim Berners-Lee, a quem se atribui a invenção da World Wide Web (www), foi além, chegou a qualificar os projetos de violadores dos Direito Humanos.
Com efeito, e foi dito na imprensa, a proposta legal tornaria possível ao Governo Norte Americano, por exemplo, a retirada do ar de sites que veiculassem pirataria, onde quer que estejam hospedados.
No dia 20, a votação dos projetos foi adiada.
Essa narrativa dá uma singela dimensão da repercussão que, inclusive, ocupou naquele dia, os dois primeiros lugares entre os assuntos mais comentados no Brasil, segundo estatística do Twitter.
Convém lembrar que em 2010, Julian Assange, australiano fundador do WikiLeaks (site que costuma “vazar” documentos diplomáticos Norte Americanos) foi preso em Londres, sob o pretexto de ter cometido abuso sexual na Suécia.
A imprensa mundial sempre noticiou a prisão em clara conotação política.
Informação, seja de origem do mundo Público ou do privado, traz interesse e discussão, e esses fatos específicos permitem dizer que o Direito à Informação gera intenso debate sobre seus limites.
Entretanto, me causa espanto que os projetos de leis que tramitam nos EUA sejam assunto dos mais comentados por brasileiros, em redes sociais, mesmo que aquele venha a interferir em sítios navegados por esses.
Por isso, seria conveniente trazer ao leitor disposições de Lei, ainda que de forma objetiva, para estimular o debate nos seus diversos palcos.
Pois bem, todo cidadão, por mais comum, tem o Direito à Informação, faz parte do rol dos Direitos Humanos, sobre os quais se fundamenta a República brasileira.
Ele assegura o livre acesso de todos às informações não consideradas sigilosas, além de compreender o Direito de divulgá-las, proibido o anonimato e assegurado o segredo da fonte “quando necessário ao exercício profissional”.
No caso das informações detidas pelo Poder Púbico, inclusive, o cidadão tem o direito de obter as que tratam de si e, se negadas, tem ação judicial que lhe garanta o acesso, é o habeas data.
São garantias Constitucionais, mas não é só.
A Carta Republicana é incisiva em não permitir a censura ou licença para as atividades de caráter intelectual, artístico, científico e de comunicação.
Por sua vez, também põe limites ao Direito à Informação, e aqui vale transcrever o inciso X, do art. 5º. da CRFB/88: “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.”
Perceba, leitor, se por um lado o Direito à Informação é Fundamental o da “intimidade” também é (logo, sem hierarquia entre ambos), e não raro estão em conflito. Da mesma forma, a propriedade, inclusive intelectual, é um bem jurídico constitucionalmente assegurado, pelo tempo que a lei fixar.
Assim, a despeito da discussão da inovação legal que tramita há “alguns” quilômetros daqui, julgo importante lembrar que o Direito à Informação, no Brasil, tem proteção legal e valor jurídico de relevância constitucional.
O Direito brasileiro baliza a conduta dos agentes noticiadores e dos conteúdos divulgados, restringe e assegura. Resta saber, se consegue conter o que está mundial e virtualmente exposto.
Esse fato, que possui valor, dificilmente será alcançado de forma eficaz por norma alguma. É uma crise para os atuais jus filósofos e legisladores, e o saudoso Miguel Reale não vai poder nos ajudar.
MÚSICA A CALHAR:
"Que o chefe da polícia carioca avisa pelo celular/ Que lá na praça Onze tem um videopôquer para se jogar..." ("Pela Internet" - O cara mais bamba da MPB! Rubro negro e beatlemaníaco!.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O Divã
Levantou, enxugou suas suadas mãos nas calças e andou, tenso, rumo à porta que se abriu para que adentrasse ao recinto.
Uma vez dentro da sala, foi recepcionado pela pessoa que fora encontrar, o Dr. Amâncio, que disse:
– Boa tarde! Horácio Silva, não é? Sente-se, por favor.
Horácio não disfarçou a decepção, olhando em volta, sorria amarelo.
Dr. Amâncio notou e, por cima de seus óculos para perto, fitou o paciente, já colhendo seus primeiros dados, perguntou:
– O que há, o senhor não quer se sentar? – Disse em tom extremamente gentil.
– Não é isso... é que eu não esperava que fosse assim, um sofá, mas um divã. Não foi assim que eu idealizei – Argumentou o paciente.
Dr. Amâncio já havia ouvido tais considerações em tom de anedota, mas não através de uma declaração que parecia fruto de trauma, por isso ponderou:
– Meu jovem, isso é de uma época romantizada, hoje em dia o médico deve ter acesso aos olhos de seu paciente... é tudo um contexto.
– Olha – Disse Horácio – se o senhor não se importa, vou me deitar em seu sofá e ficar de cara com a foto daquele senhor barbudo da parede, tá?
O médico não se opôs, mas precisou arrastar sua cadeira para lado do pouso do rapaz.
Lá se iam minutos preciosos de uma custosa consulta, e nada de Horácio extravasar suas angústias.
– Pois bem, Horácio, fale de você, como está sua vida?
– Então, Dr., é sobre isso que vim falar, da minha vida...
Já era a o 8º. do dia, uma 4ª feira de fevereiro, calor, quem não estava nada paciente era Amâncio, logo, pensou: “Não me diga!”. E não só pensou:
– É óbvio... – disse entre dentes.
– Como? – indagou o paciente que não via o rosto do médico.
– Digo, o que há com sua vida que te incomoda tanto? – disfarçou o psiquiatra.
– Dr., eu tenho 27 anos, nunca me apaixonei de fato...
– Como é? Nunca admirou uma mulher, nunca teve alguém como especial?
– Não, Dr. Toda vez que começo a sair com uma mulher, ela pode até ser bonita, sabe? Mas quando eu imagino ela de noiva, com aquele cabelão armado e cheia de maquiagem, eu brocho...
Amâncio achou graça e Horácio virou a cabeça para olhar o médico e perguntou:
– O que o Sr. acha, Dr.?
– Bem, eu acho... para! É você quem diz, é você quem tem que falar!
– Então.. tem a questão do nome também... Só pra o Sr. ter uma noção, vi uma moça linda no supermercado ontem, pele morena, cabelos lisos e negros, óculos, meio índia, meio Malu Mader. Cheguei a acrescentar itens em minha lista só para ter a chance de passar minha compra no mesmo caixa que ela, só para ficar na mesma fila e olhá-la, captar algo ... Na hora em que ela tirou o cartão de crédito para pagar eis que eu vejo o nome “Zuleica Gabriela”... Aí não, po... Mulher pra mim tem que ser “alguma coisa Maria” ou “Maria alguma coisa”, e não um nome daqueles, não é Dr.? O Sr. é casado? Qual é o nome dela?
– Sou viúvo, ela se chamava Sa.. Ora! Pare! É de sua vida que estamos falando!
– Outra coisa: gosto. Poxa, a mulher tem que ter intelecto... Não consigo sair com essa moças que vão em baladinhas sertanejas ou requebram o funk até o chão, ou músicas "punch", a minha amada idealizada deve ser fã do James Taylor...
– James Taylor?
– É,aquele que canta “You just call out my name, and you know wherever I am. I'll come running, oh yeah baby to see you again… larará-rá!”.
– Eu sei quem é porra!
– Tá nervoso, Dr.?
– Não, não, desculpe...
– Então, Dr., me entende?
– Bem, pelo visto você tem um modelo feminino, Horácio. Se prendeu a ele e acha que jamais poderá ser feliz se não for desse jeito...
– E então, o que eu faço?
– Eu poderia dizer agora, Horácio, mas seu tempo acabou... nos vemos 4ª. que vem?
– Sim...
Logo após Horácio sair, Amâncio ligou para sua recepcionista e pediu para que dispensasse todos os pacientes vindouros. “Invente um desculpa, Judith!”, disse.
Certo de que a recepção se esvaziara, Amâncio abriu a porta e, já sem jaleco, disse trêmulo: “Judith, saiba que tens um belo nome, mas agora preciso saber se você tem algum compromisso para esta noite...”
A moça sorriu tímida e perguntou:
– Depende, o Sr. gosta de James Taylor?
MÚSICA A CALHAR:
“Eu vou calar; Pois não pretendo amor te magoar.” (“Tive, sim”- Cartola, o mágico).
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
Há sociedade com canseira...
Há.
Haja sociedade.
Haja cansaço.
Aja, sociedade.
Aja, cansado.
Câncer.
O tempo cobra.
Cobra cobre.
E é o que é.
Encobre.
Enquanto rasteja, dá bote.
Aja em sociedade.
Haja vista que me cansa, mas dá, ô se dá.
MÚSICA A CALHAR:
“I wonder should I call you but I know what you would do” (I`m so tired – The Beatles)
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Correspondência.
Hamilton, um cara de sorte e estivera apaixonado.
Atuara bem no trabalho, tirara férias, fora promovido, admirado por seus subalternos.
Parara de fumar, bebera menos.
Recebera uma carta, uma tia morreu. Herança lhe fora de direito.
Como se já não bastara...
Dinheiro chama dinheiro.
Ainda ganhara o poker, muito.
Vivia, jovem.
Saudável, atlético e altivo.
Simpático, elegante e educado.
Casa, devassada, vidros, varanda, rede, jardim, Golden Retrivier.
Substantivo, adjetivos e predicados.
O céu fora seu limite, foi?
Por seu turno, Gardênia sequer o considerava.
MÚSICA A CALHAR:
“Pobre de quem acredita. Na glória e no dinheiro para ser feliz” (Saudade da Bahia - Dorival Caymmi).
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Oitenta e sete, para mim.

Este despretensioso, acanhado e, paradoxalmente, pernóstico blogueiro lembrou de pessoas que se indignam, pessoas de moral, para escrever este texto.
É para quem fica pau da vida quando vê, no supermercado, que os tomates bons estão bem abaixo dos verdes, estrategicamente posicionados na superfície da banca. Ou quando alguém passa com 20 itens no caixa rápido (eu passo quando não tem pack lacrado de Heiniken, aí não é culpa minha...).
É para você, amigo e amiga, que vê adolescentes sentarem nas poltronas dos ônibus metropolitanos, deixando idosos de pé (sobre estacionar na vaga de idoso de noite, confesso que o faço, madrugada é hora de “veio”dormir).
Enfim, e para você que dá valor ao que está posto e acha que, se for obedecido, a fluidez social é menos ruidosa (palavrório desnecessário...).
Pois bem, todos sabem da infundada e escrota (é o termo pejorativo mais, mais, mais escroto que eu conheço) discussão que há sobre quem é o Campeão Brasileiro de 1987, se o Clube de Regatas do Flamengo ou o Sport Club do Recife.
Adjetivei a polêmica pelo seguinte: o que os senhores acham, de um campeonato que começa com o regulamento dispondo “X” e, no meio, se muda para “Y”, alterando toda a conjectura inicial, sendo que isso ocorreu em uma reunião, no curso do certame, em que Eurico Miranda compareceu em nome do Clube dos 13 (representação dos maiores clubes nacionais, que foi o organizador inicial do campeonato, com o regulamento “X”)?
E mais: o que vocês acham da presidência de um clube, que estava a frente do Clube dos 13, que reconheceu a forma do regulamento “X”como válida, logo, campeão quem assim o foi sob sua égide, mas hoje rasga o que assinou? São os dirigentes do São Paulo Futebol Clube.
É sobre isso que trata a querela. Moralidade, hombridade e tudo mais que é nobre no ser.
A briga foi parar na Fifa que, ao que me parece, já se esquivou.
Mas nada disso importa, sabe o que vale? Eu vou te contar...
Em 1986 eu tinha 6 anos. Lembro de já ficar ansioso em jogos.
Recordo da Copa de 1986: do Araken, o showman; a camisa dos postos Texaco, que tinha uma bola de sombreiro, que funcionava como buzina; da Belina bege do meu pai, que fazia buzinasso nas vitórias; do almanaque da Copa com todas as seleções e histórias do futebol, com personagens do Walt Disney; mas principalmente de minha mãe e minha madrinha chorando copiosamente a eliminação do Brasil, puseram a culpa no Zico...
Em 1987 lembro de o Vasco vencer o Flamengo na final do Campeonato Carioca. Não compreendia bem a euforia de quatro primos (três mais velhos) curtindo com minha cara, me refugiei na poltronona do meu avô (os domingos eram em sua casa), de onde assiste aquele fatídico jogo, do qual não me lembro tanto.
Talvez esses dois episódios futebolísticos deixaram a minha verve rubro-negra mais pulsante.
Por isso, as lembranças do brasileiro de 1987 são mais nítidas e os sentimentos mais claros.
A arrancada do Renato Gaúcho para o terceiro gol da vitória do Fla sobre o Galo, no Mineirão, levou o meu time à final.
Assisti esse jogo na minha ex-casa de Cachoeiro, com meu pai e meu avô paterno, Vô Darcy, três gerações de flamenguistas. Isso não se esquece...
A minha memória não descarta que, quando saiu o gol, comemorei apoiando as palmas das mãos no para-peito da janela e dei um pulo.
O movimento assustou meu pai que me deu um baita esporro: "Victor! Sai de perto da janela, sô!"
O Mengo foi para a final contra o Inter, que era um timão àquela época, a gauchada sempre foi temida.
Ainda sinto a temperatura do chão da sala do meu avô, onde deitei, só, para ver a final do brasileirão (onde estavam os primos vascaínos nessa hora?).
Minha memória gravou uma cena em que o Renato Gaúcho era filmado no início do jogo, caminhava olhando para o chão e, ao ver um objeto atirado da arquibancada, tocando o solo, fingiu imediatamente que havia sido atingido e se jogou...
O jogo ficou 1 x 1.
No segundo jogo, no Maracanã, meu pai, acho, não me deixou ver.
Me levou para a missa naquela Igreja ali no bairro Praça da Bandeira, em Cachoeiro, não lembro o nome dela.
Depois do jogo, comíamos pastel e ouvimos foguetes, ele disse: “meu filho, o Flamengo foi campeão...”.
Para mim o que basta é isso. Meu pai disse que o Flamengo foi campeão, não me importa a Justiça Federal ou o Juca Kfouri.
É com essa lembrança, nostálgica, que eu homenageio meu pai e outros homens da minha vida: Meu avô João, meu avô Darcy e meu ídolo, Zico.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Falta de assunto...
Eu poderia falar da vida, mas ela é muito grande;
Eu poderia falar de morte, mas eu não a conheço;
Eu poderia falar das propagandas de utilitários esportivos que usam música do Queen, mas elas até que são razoáveis;
Eu poderia falar do bebum da praça, mas o bafo de espanta neném dele me prejudica a opinião;
Eu poderia falar do traveco de pé grande, tatuado, que eu vi na padaria, mas homofobia está para virar crime;
Eu poderia falar do Poder Judiciário, mas prefiro adotar um tom cortez;
Eu poderia falar da menina bonita de olho claro que passou assobiando, de mochila e semblante ameno, mas ela não me deu bola;
Eu poderia falar do cara estranho que passa correndo fazendo careta, mas vai que ele me agride;
Eu poderia falar daquele filme maneiro, mas eu dormi no meio;
Eu poderia falar de economia, se eu não esbanjasse tanto;
Eu poderia falar dos meus amores, se alguém se interessasse;
Eu poderia falar do Projeto de Lei do Novo Código Florestal, mas eu não li o relatório do Aldo;
Eu poderia falar de balas de borracha, mas eu não fui às ruas esbravejar contra ninguém;
Eu poderia falar do #protestoemvitoria, mas eu tenho receio de sofrer represália da Rua da Lama;
Eu poderia falar das minhas obrigações e paranóias, mas eu prefiro enfrentá-las;
Eu poderia falar de minhas dívidas, mas elas são só de minha conta;
Eu poderia falar do meu final de semana, mas terceiros não autorizariam;
Eu poderia falar de você, mas prefiro deixar passar;
Eu poderia falar de tudo, se você quisesse me escutar.
MÚSICA A CALHAR:
"Eu não sei dizer, nada por dizer, então eu escuto" (Fala - Secos & Molhados)
domingo, 27 de março de 2011
Pagando o sapo.
Arlete era doméstica.
Mulata batalhadora, honesta e ingênua.
Servia a uma família e Arthurzinho, o caçula de 03 anos, era louco por ela, a ponto de ficar notadamente triste nos sábados, domingos e dias que a dublê de babá e cozinheira faltava.
O angu ilhado em um prato de feijão era a maneira peculiar que Arlete alimentava seu pequeno fã.
Numa determinada manhã, chegou meio atrasada para preparar sua iguaria. Atrasada e assustada.
Sra. Maria, a patroa, indagou: “Arlete, isso são horas??”
Arlete correu para o banheiro e se pôs a chorar.
A chefa teve dó e foi atrás, disse: “Arlete, não fique assim... não estou brigando, só quero saber se tudo está bem...”
“Não, não está!”, respondeu abrasivamente a mucama. “E eu não sou ‘Arlete’, sou ‘Marise’!”
O bafafazinho chamou atenção do pequeno Arthur, que veio até à porta da cozinha para ver o que acontecia.
Ainda meio abalada, Arle.. digo, Marise saiu do banheiro e explicou: “Sabe oque que é, D. Maria? É que eu soube que uma vizinha, num sei por causa de que, pôs meu nome velho na boca de um sapo...”.
D. Maria disse: “Arlete, deixa de bobagens, menina... essas coisas não existem... anda, vamos começar os trabalhos do dia logo, Arthurzinho jajá vai querer comida...”.
“Não!”, disse a servidora.
“Quero ser chamada de Marise agora!”
O dia de trabalho foi passando, e tantos outros.
Em longos três anos que Arlete serviu àquela família, foi chamada de Marise pelos habitantes da casa umas 5 vezes, todas por D. Maria, e três só no primeiro dia.
Arthur só a chamava de Lelete.
O tempo passou, Arlete não sofreu nenhum mal que pudesse ser fruto de macumba, muito pelo contrário, hoje é uma pequena, mas bem sucedida, comerciante de seu bairro.
Enfim, todos seguiram suas vidas Maria, Arthur, o chefe da família, os irmãos e todo mundo.
Ah! Menos o sapo, foi difícil explicar à Dona Rã quem era Arlete e porque carregava aquele nome dentro de sua boca. Morreu a cascudadas, coitado.
“Escreveu o seu nome no papel/ Botou na boca de um sapo/ Cruzou e cozeu boca de bicho/ E soltou ele no mato/ Quando ele morrer de fome/ Sumcê vai para buraco.” (“Eu ta vendo no fundo do copo” – Noriel Vilela).
segunda-feira, 21 de março de 2011
A condenação: estigma.
Passei um longo tempo sem postar aqui, volto a tratar de tema que muito me aflige.
Com se sabe, há um suspeito folclore de que pessoas nascidas no Reinado de Cachoeiro de Itapemirim seriam bairristas.
Ora, não é só porque o seu filho mais bobinho perdeu a perna e virou Rei, ou o fato de o Rio que atravessa seus vales, formando corredeira e cachoeiras, ao desaguar numa baixada de relativo tamanho, forma o Oceano Atlântico, que saímos aos quatro ventos cantando essa marra.
Não, definitivamente não é por isso.
Rubens Bragas, Luz Del Fuegos, Carlos Imperiais, Sérgio Sampaios, Sérgio Bermudeses e Bujicas à parte, o maior fator de nosso amor à nossa terra é um singelo: a nossa região foi a primeira a ser habitada pelo homem pré-cabraliano.
Ééééé... segura essa malandro!!
Vá ao Museu Nacional no Rio de Janeiro, procure por uma ponta de flecha que lá está. Ela remonta há dez mil anos atrás, os primórdios da ocupação hominídea no Brasil.
Isso quer dizer que o primeiro lugar no Brasil apto a ter o desenvolvimento humano foi a nossa região, fato que encaro com naturalidade.
De lá, os cachoeirenses saíram para dominar todo o Brasil, como de costume.
O artefato teria sido encontrado em Cachoeiro, na região de Vargem Alta há muitos anos atrás.
Opa!!
"Como assim? Foi encontrado na sede do Reino ou em sues arredores de climatização temperada? Vargem Alta é outro lugar, pô!" Aposto que foi assim que o leitor amigo refletiu...
Esse fato é importante para um outro assunto que gosto de tratar e popularizar: a vida do advogado.
Calma e vamos lá, já explico.
Sempre que me identifico como causídico, o interlocutor manda aquela: “Ahhh! Você é advogado? É que eu tenho um primo que está preso...” ou “É que eu fui demitido, quero saber o que eu tenho direito...”
E por aí vai...
Gente, uma coisa deve ficar clara, advogados têm especialidades. Muito embora muita coisa possa ser resolvida por princípios gerais de Direito, uma opinião sincera e segura deve ser colhida após certo estudo.
Desconfie de quem se arvora a conhecer todas as especialidades, esses se enrolam, sem dúvida. Essa “modalidade”de advocacia é rara, própria de decanos. Talvez seja por essa e por outras que o advogado seja um profissional tão estigmatizado.
Pois bem, agora fazendo a clássica mescla dos assuntos (comum aos posts deste acanhado e ingênuo blog) até aqui tratados.
Afinal, a Ponta de Flecha é cachoeirense ou de Vargem Alta (nem sei o gentílico do simpático lugarejo)?
Sem dúvida que o Direito resolve e, para não cansar ainda mais vocês, serei direto como uma flecha! (¬¬)
Bem, um princípio geral de direito: tempus regit actum, confere?
Logo, se a Ponta de Flecha foi achada antes de 1988, na região de Vargem Alta, assim, antes de sua emancipação Política, para todos os efeitos, foi achada em Cachoeiro, pois até então, lá era Distrito desse.
Uma questão de Direito Intertemporal.
Como o direito é lindo! Resolve a porra toda!
E melhor, nos legitima, ainda mais, a professar o amor à sagrada terra caliente do Cachoeiro (só não moro lá...).
MÚSCICA A CALHAR:
“Put your house out up for sale? Did you get a good lawyer?” (Valerie – The Zutons, versão original da canção, pela banda que é oriunda do equivalente a Cachoeiro na Bretanha, Liverpool).
PS.: Um "em tempo" necessário e que me faz lançar mão da liberdade poética, para o texto. Eis o email que recebi ontem, pouco depois da postagem, do Arqueólogo Sr. Prof. Celso Perota:
"Prezado Vitor,
É uma ponta feita em quartzo, com técnicas avançadas de lascamento e provavelmente foi utilizada na caçada da megafauna que habitou a região cerca de 7.500 anos atrás.
Além dos artefatos arqueológicos existem na coleção uma outro acervo paleontológico, representado por ossos de grande animais como a preguiça gigante, tatu canastra e, provavelmente o tigre de dente de sabre.
Um abraço
Perota"
Ou seja, que Vargem Alta que nada...
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Mané é mané.
Ainda sim, ao seu jeito, teve muito contato com a fé bíblica. Isso fez construir nele um temor ao metafísico. Essa papo de milagre; possessão e tudo que foge à compreensão filosófico-científica dava-lhe friagem nas ventas.
Pois bem, já adulto, e longe da prática religiosa por anos, em uma tarde qualquer de um domingo mais qualquer ainda, fora convidado por um amigo para ir a um agradável balneário próximo de sua cidade. A ida à praia seria seguida por uma jam session em determinada casa.
Chegou no lugar, parou o carro em frente à tal casa. Nesse momento teve um pressentimento: temeu que algum larápio arrombasse seu belo carro esportivo, nada obstante haver mais uns 4 automóveis na rua.
Com a certeza de que Deus o protegeria em relação ao seu patrimônio automotivo, tudo ia bem, a cerveja; o tira-gosto; as morenas faceiras; o mar e os guruçás.
Após todo esse deleite, foram para a tal casa.
Recepcionados por uma desconfiada senhora, entrou, ele, seu amigo, e mais 4 ou 5 pessoas que foram se juntando ao grupo na praia.
Estando pouco à vontade pela recepção cabreira, tomou um “soco no estômago” quando seu amigo o advertiu: “isso aqui é um terreiro de macumba, desativado....”.
“Desativado? Desativado os colarinhos!! Essas paradas não se desativam, vide os cemitérios indígenas...” Pensou Lolô, que assim era carinhosamente chamado pelos mais íntimos (não, Lolô não era gay).
O segundo jab em seu proeminente abdômen ocorreu no momento em que se deparou com uma imagem, em escala real, de uma entidade, que reverenciava quem chegava ao espaço místico em stand by.
Mais tarde foi esclarecido, tratava de uma estátua de gesso de Zé Pelindra.
Àquela altura temia que os “cães” farejassem seus medos. Especificamente, que os “spritos maslignos” sacassem que estava apavorado com o lugar.
Diante dessa situação miserável, tentou recompor sua moral espiritual e deu uma de cético: “é só uma estátua...”, e partiu em frente.
Ao passar na “linha de visão” de Zé sentiu algo líquido em seu pé. O cagaço voltou e Aloísio sequer teve coragem de olhar o chão para saber de onde vinha “água”.
Mais à frente foi verificar o pé, e notou uma consistência pegajosa no líquido.
Voltou à postura cética, superou o medo e foi verificar, discretamente, a origem do melaço de seu pé.
Não chegou a conclusão nenhuma. Não havia potinho para cachorro; vaso de planta e nem nada que pudesse molhar o chão. Muito pelo contrário, o solo não tinha indício algum de líquidos.
Pronto, o pavor se restaurava e a vontade de sumir do local foi interrompida por um pequeno bafafá que vinha da rua.
Pessoas resmungavam.
Todos que estavam na casa saíram para ter ciência da origem do quiprocó e logo souberam: vários carros da rua estavam arrombados, exceto um, o de Lolô.
Antes de descobrir tal “sorte”, Lolô sentiu mais uma paúra no estômago, correu em seu carro e descobriu que estava intacto.
Aliviado, entrou novamente na casa e dessa vez encarou Zé, ali descobriu um leve sorriso, maroto e monalisístico.
Diante de tantas emoções, não quis delongar sua estada naquele recinto. Tratou de inventar uma desculpa para ir embora, talvez tenha sido uma missa.
De qualquer sorte, foi embora na certeza de que Zé convencera os malandros a não tocar em seu bem.
Depois passou a achar isso mera coincidência, mais para a poesia do que para um feito sobrenatural. Só um fato ficou claro em sua mente: não acreditava em bruxas, mas que elas existem, ah, isso sim!
MÚSICA A CALHAR:
"and i composed myself / and decided i should face it / Then i stood paralized" - The Chemical Brothers - The Golden Path
sábado, 14 de agosto de 2010
A alma do negócio
Muito amigos, passaram os primeiros dezesseis anos de suas vidas em companhia, na mesma escola, carteiras sempre emparelhadas.
Na época da faculdade, Davi foi estudar Economia em Viçosa/MG, Henrique fez intercâmbio e depois foi estudar administração em Londres.
Nunca mais se viram e o contato foi minguando ao longo dos anos.
Um belo dia, recentemente, Henrique viu Davi saindo de uma loja e esportes de um Shopping da cidade. Mesmo atrás da barba e óculos, reconheceu o velho amigo e o chamou acenando!
- Davi!!!
Meio tonto, o cara se virou e viu o antigo companheiro.
- Caralho! Henrique?
Davi exclamou, impressionado com o belo terno do amigo.
E então começaram um papo animado no corredor do lugar.
- E aí velho? Como vão as coisas, a vida? – começou Henrique.
- Tudo bem meu amigo! Comprei essa bola para bater uma peladinha com uns amigos...
- Mas e aí? Casou, tá trabalhando onde?
- Sou bancário, não casei... e você? – Perguntou Davi por educação, pois sabia que o amigo iria humilhá-lo.
O tom de Davi não foi muito animado, mas enfático, na parte do “não casei”.
- Eu casei com a Gioconda, lembra dela? Administro as empresas do papai, estou muito bem. Faço duas viagens mundiais por ano, para você ter idéia. Vivo tradicionalmente, hahaha!
O tom arrogante de Henrique começou a incomodar a Davi e ele partiu para ironia.
- Gioconda? Sim, lembro. Uma muito altona, “forrrte”... Mas que bom!! Quer dizer que está feliz... Eu também estou, livre, nada me prende.
- Hahaha, você hein... precisa tomar juízo.
Davi não gostou nem um pouco do comentário estilo sabichão do amigo e, de repente, se lembrou do porquê o contato foi rompido. “Porra! Nem para o casamento dele fui convidado...”, pensou. Por isso, deu um jeito de encurtar conversa.
- Bem, Henrique. Bom te ver, preciso ir, ta na minha hora.
Henrique estranhou a rápida despedida do caro e pensou de cá: “Puxa vida! Nem trocamos contato!”.
- Tá certo... toma um cartão meu. Me liga para tomarmos uma depois.
Davi pensou “Deus me livre!” mas disse:
- Lógico! Lógico...
E se foram.
Davi presentear, com a bola, o filho que teve em um relacionamento casual e Henrique, para a casa da amante, adepta do sadomasoquismo.
MÚSICA A CALHAR:
"O apreço não tem preço, eu vivo ao Deus dará." ("Amigo é para essas coisas" - MPB 4)
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Auto (sufi)ciência
Para ele, e para quem fosse um pouco mais sensível, possuía uma alma superlativa.
Com duas academias incompletas, em Medicina e Direito, bacharelou-se em Filosofia.
Romântico, os hábitos boêmios e notívagos renderem-lhe fama, a de vagabundo.
Ao longo dos seus trinta e pucos primeiros anos, não tinha uma noite que deixava de ser visto na Cinelândia, Lapa ou Vila Mimosa, uivando como lobo e balançando como pêndulo.
O troco da vida foi o insucesso profissional e a falta de mulheres, direitas.
Aparentando 60, aos 43 anos vendia bujingangas paraguaias da China na Av. Presidente Vargas, próximo à Candelária. A venda de canetas e lapiseiras era seu forte, clientes de escritório.
Trabalhava em uma pequena banca, própria, ia como brinde, para quem lhe simpatizasse, filosofias de bolso. Pequenas frases que induziam à reflexão, um Twitter dos anos 1980.
Duas pessoas, em particular, levavam as suas sempre que iam à banca: uma linda senhorita, de longos cabelos negros, óculos e nariz esculpido a mão e outra, de cabelos longos, só que mais claros, alta, face de Brabie, que não lhe apetecia tanto quanto a outra.
Aliás, não sei porque essa última entrou na história.
Pois bem, sua essência sonhadora (e outros motivos), o deixava sempre atento à passagem da morena de belo nariz. Sempre despojadamente vestida mas altiva e com uma pressa que presumia um rotineiro atraso.
Dias após vender uma recém lançada caneta dez cores para a sua musa, João foi cobrado por uma nova cliente que acabara de adquirir um jogo Tetris para seu filho: “Vem cá? E o meu papelzinho? A Margarida comentou que ganhou um quando comprou a caneta com o senhor...”
O nome dela era Margarida. Não era lá um nome de musa, mas passou a ser.
Foram duas belas notícias. O nome dela era Margarida que gostava do que ele escrevia.
Naquela noite não dormiu de ansiedade: quando Margarida voltaria a comprar algo na banca?
Não tardou. Margarida precisou retornar, pois achou o cheiro de tuttifruti da caneta meio infantil, comprou outra sem aroma.
João, em conjunto com o troco, deu mais um bilhete à Margarida e não era uma de suas filosofias.
Margarida o abriu ali mesmo e, ao terminar de ler, olhou sério para dentro da cara do João e disse, sem pestanejar: “Vai te catar, coroa filho da puta!”
No dia seguinte a banquinha do João foi para a Avenida Rio Branco, lá o movimento parecia ser melhor.
MÚSICA A CALHAR:
"Quem quer ser mais do que é, um dia há de sofrer" (Roda - De Gil por Elis)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Reflexões após um mês inteiro de Sportv.
Basta o movimento de entrar em carro para ouvir, “rasg!”, já era... o pessoal saberá a cor de minha cueca (se estiver usando uma).
Essas razões me levaram a sair de casa tão logo cheguei (nem mijar mijei), desci e fui ali na Maschio e na Clarindo ver se tinham calças compatíveis com o caro Colella (comprei o meu por 1/5 do preço, mega promoção) azul-marinho de lã-fria encostado em meu guarda-roupa.
Na volta, aproveitaria para comprar um desses antimóficos de armário para evitar estragos em meus ternos em uso.
Ossos da independência e da maturidade. Responsabilidades do homem.
Passando pela pracinha, não resisti e me pus a assistir uma inocente pelada, onde meninos disputavam animadamente uma bola. Uns já mostravam alguma habilidade, outros, e neles me via, chamavam a pelota de Vossa Majestade Real & Imperial.
Todos eles ali orbitavam nas idades de 8 a 11 anos.
Lembrei, inevitavelmente, de minha infância, e como as peladas no Conjunto Residencial Átila Viváqua eram disputadas e animadas em época de Copa, com é esta.
Aqui em Jardim da Penha, na quadra da Praça do Epa (que já foi do Santa Martha), jogavam Forláns, Kakás, Robbens, Özills e todos os craques desta Copa 2010.
Na minha época, em Cachoeiro, jogavam Latos, Hagis, Linekers, Gullits, Maradonas, Butraguenhos, Matthäus, Carecas e Romários. Todos queriam jogar, dar um chute, fazer uma jogada dos craques que viam nas Copas de 1986 e 1990.
Futebol e infância são duas coisas indissociáveis, ponto.
Não se conclui isso, somente, vendo uma pelada de pré-adolescentes.
Basta que se ligue a televisão e observar como os comentaristas de futebol levam a sério o esporte, que para na maioria é alvo de descontração.
Como diz meu pai, a profissão de comentarista de futebol é a primeira na lista de inúteis. Um cataclisma mundial comprovaria isso. O pior é que gosto, sou fã do Lédio Carmona.
É tudo uma grande, enorme fantasia. Aprendi isso vendo minha mãe e minha madrinha chorando e trocando de canal quando o Brasil perdeu para a França no México. No outro dia já estavam me cobrando dever de casa e essas coisas.
Não seria o todo dito acima um exorcismo, uma catarse da justa eliminação do Brasil pela Holanda na África do Sul. Até mesmo porque, sou mais rubro-negro que brasileiro.
O que é, é. Dunga, sério demais para o futebol. Maradona, passional ao extremo. Esse pessoal que acha que tudo é futebol faz dele feio.
Futebol deveria ser como a brincadeira de criança somado à disciplina de uma escola primária. Como um lar, com uma mãe atenciosa e repreensão de pais amorosos. Sempre a incentivar as habilidades naturais.
Pois bem, a infância passa, a Copa mais rápido ainda (ao menos volta) e as obrigações só aumentam para cada um de nós, lembre-se que ninguém cuida dos seus ternos, a não ser você.
MÚSICA A CALHAR:
“Meu caro amigo eu quis até telefonar / Mas a tarifa não tem graça / Eu ando aflito pra fazer você ficar / A par de tudo que se passa / Aqui na terra tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll.” (“Meu caro amigo” – do Chico, boleiro gente fina, por causa de quem quase virei um tricolor. Ainda bem que era Zobé quem mandava na casa – a era...)
segunda-feira, 29 de março de 2010
Releitura Privada.
Não terminei de ler vários, e foram vários livros muito bons – para os outros –, por exemplo: Baudolino; Cem anos de Solidão, um dos livros do Hélio Gáspari (que esqueci dentro de um ônibus, após um hipoglicemia ferrenha) e até um dum Tio meu.
Nesse domingo, de mais uma vitória rubro-negra, véspera de uma semana de trabalho (e lá eu leio, e muito!!!) bateu um vazio intelectual ... me peguei lendo uma Isto É de abril de 2008, e tava gostando ainda....
Diante desse quadro esdrúxulo, não teve jeito... fui numa banca e comprei uma Piauí, conhecem? Revista excelente, que faz uma visão crítica do cotidiano com uma pitadinha de nada de Direito em alguns casos ... é lógico que me identifico muito com essa publicação sui generis.
Ontem li que certos cartões-postais do Rio estavam proibidos. São imagens de um grande patrimônio do Brasil: a bunda feminina, de biquine, em Copacabana!
Cara, eu já me deparei com algum desses suveniers e eles me fizeram essa reflexão: bundas em cartão postal?
É mole? As pessoas tiram fotos de bundas e põem em cartão-postal para eternizar o Brasil, seu, o nosso país.
É absurdo?
Sim! Mas sim, porquê para ver nádegas tão lisas e arredondadas como aquelas, o turista deveria é vir pra cá, trazer seus dólares (dolores) ... o que é que tem? São belezas naturais. Vou ser sincero, as mulheres do Posto 9 ofuscam as Ilhas Cagarras e os Dois Irmãos... sejamos francos, pô.
Estando lá, até mulher bonita e viado olhariam. Respectivamente, ponham a Patrícia Poeta e o Zeca Camargo lá para ver se eles não vão ficar comentando a voluptuosidade da fêmea carioca.
Por falar neles, mas sem mudar de assunto, descobri uma fonte inesgotável de inspiração para o exercício da cricritude, a arte de ser cri-cri: o Fantástico, Show da Vida!
O Zeca Camargo é um cínico e a Patrícia Poeta uma gostosa. Gosto disso, cinismo e mulher boa, mas não na hora de prestar informação. Estamos falando da maior audiência da TV Brasileira.
Pois bem, nesse domingo, o Fantástico exibiu no seu quadro, “Detetive Virtual”, um comercial preconceituoso em relação à mulher brasileira.
Foi este: http://www.youtube.com/watch?v=O8IAamzOImA
Sem dúvida é preconceituoso com nossas mulatas. Subjugam-nas.
Mas ora, é a Globo quem diz isso? Despindo-me daquele discurso clichê anti-Globo, até mesmo porque, sou telespectador dela, lá vão argumentos:
A mesma Globo que bombardeia nossas casas (e eu adoro) com a cobertura completa dos Carnavais de Rio e Sampa, exibindo, bundas, peitos, pererecas e tudo mais ... até vinheta com mulata semi-nuas tem.
A mesma Globo que exalta o Rio como “maior destino do público gay” do mundo (o pessoal GLBT – traveco, corno, essa galera – só quer saber de sacanagem, não sejamos hipócritas).
A mesma Globo que faz uma novela (caraca, às vezes eu vejo, rs), onde todas as mulheres metem chifres nos maridos ...
E não venha falar que são argumentos homofóbico ou machista, sou um pouco de um e nada do outro. E olha, até concordo com o Bruno, vai, mas quando saí na mão com mulher só apanhei e me defendi.
Pô, é muita, muita hipocrisia em rede nacional...
Ah, quer saber, menos TV, minha gente, muito menos. Até mesmo porque estou com 10 quilos a mais do que deveria, meus ternos não me cabem, as bermudas rasgam e o que era G agora é P.
MÚSICA A CALHAR:
“Não esqueça o dia de casamento/ Não esqueça a data de vencimento / Não esqueça o presente de sua cunhada (ai ai) / E perca peso agora / Perca peso agora.” (“Perca Peso”- Móveis Coloniais de Acaju, bandinha boa da gota, sô! Skazeira da porra!)
domingo, 7 de março de 2010
(Im)prensa no trabalho!
Às vezes vejo coisas que me revoltam. Numa delas, no Globo Esporte, reproduziram o dizer do Zagallo de forma pouco honesta. Eu o vi falando depois de um jogo da seleção e vi o jornal no dia seguinte, percebi na hora que eles transmudaram a fala do Velho Lobo.
Na semana seguinte, o Professor reclamou em rede nacional, de forma irônica , da mudança de “contexto”(do qual não me lembro o tema) ... acho que foi na mesma entrevista do “Vocês vão ter que me engolir...”.
Isso ocorreu nas eliminatórias da Copa de 1998, acho ... desde então, vejo a imprensa com ressalvas máximas. Procuro obter informação de variadas fontes, melhor se forem inimigas, e tiro minhas conclusões.
Hoje, vendo Fantástico, aplaudi de pé a iniciativa das reportagens sobre as construções residências em cartões postais.
Folou principalmente das APP`s (áreas de preservação permanente - topos de morro; lagos artificiais; beira de mar; margem de rios; etc) ... depois rolou uma ponderação sobre má ocupação do solo, com o notório sobrecarregamento das márgens dos rios da capital paulista.
Foi verdadeiro serviço de educação ambiental. Demonstrou o que determina a lei em relação à proteção dos patrimônios ambiental, público, histórico e cultural, o fez de forma leve e didática.
Incutiu algo bacana na cabeça da galera... mas em seguida...
Mandaram mal, muito mal com nossa cidade de Vitorinha.
Ao exemplificarem como é o tratamento e destinação de resíduos eletrônicos provenientes dos bens de uso diário, o lixo eletrônico, a imagem da cidade ficou mal.
Por azar, algum funcionário mal orientado atendeu ao telefone e informou que esse resíduo é destinado a um “lixão [...] lá pelos lado de Cariacica...”.
Pior, o comunicado da prefeitura não esclareceu bem, não deu uma informação precisa, ao menos do que constou da TV.
Nessa segunda parte o Fantástico manteve a tradição da imprensa, honrou a camisa, e passou uma meia-verdade, ou inverdade, como algo absoluto.
Digo isso sem certeza absoluta, mas pelo que sei Vitória é uma cidade ambientalmente bem sucedida.
Tem pioneirismo na questão de criar Secretaria Ambiental, mantém a cidade limpa, produz ações de educação e etc...
Em relação à destinação do lixo, tenho 99% de certeza de que é feita corretamente.
E quando se fala em “Cariacica”, só pode estar a se falar da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos ou Aterro Sanitário, que existe lá.
Senhores, existe uma singela diferença entre lixão e uma Central ou um Aterro desses...um é lugar qualquer, sem controle, esculhambado, sem nada, os outros são lugares ambientalmente licenciados e preparados para receber resíduos e efluentes, restos, lixo.
Bem, gente, o infeliz do funcionário público, disse lixão, mas era para ter dito que era um Aterro, pô. Tudo certinho, aqui em Vix rola tudo nos conformes.
Essa é uma informação pública, de fácil acesso, a Imprensa poderia ter esclarecido sem sequer consultar os representantes municipais, que também mal informaram.
É galera, amanhã reunião bem cedo no Gabinete do Secretário, ou do Prefeito, hein!!
Continuemos a exaltar nossa Vitória!!
MÚSICA A CALHAR:
“Rádio Mundo no ar/ Em um mundo melhor/ Ver a hora de chegar/ É ser humano e acreditar/ Reciclem o novo ciclo da terra” ("Pedestre"– Pé do Lixo, de Vitória, rsrs...).
É constrangedor ter essa posição politicamente correta...
segunda-feira, 1 de março de 2010
Ordinário...*
o tempo era apertado,
desligou o rock que o despertara,
acordado e quase atrasado.
Banho, água no rosto,
sapato com graxa, nó na gravata,
não se fitou no espelho,
temeu o próprio olho.
Desceu, deu bom dia, espelho no elevador,
ouviu a notícia, retrovisor,
saguão, gravata acima da cintura,
viu na imagem de si, refletida.
O reflexo persegue,
não se corre dele,
nem se enfiar a cabeça no chão,
afinal, o que todos precisam é de reflexão.
MÚSICA A CALHAR:
"A look in the mirror is not enough / What makes you think that you're not one of us?" (Ordinary - Face to Face, o som das fitas k7's de minha adolescência).
(*) Aqui tem-se "ordinário" como "comum; de todos os dias; frequente", não à lá Carla Perez.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Durmam com um barulho desses!!
Então, tempo que isso aqui não é movimentado (4 meses?) ... é que a vida é meio corrida, a gente vai deixando tudo passar, corre atrás de umas coisas, negligencia outras ... tem até um filme que se chama “Uma escolha, uma renúncia”, nunca vi, mas sei que não concordo, pois uma escolha são muitas, muitas renúncias, e às vezes renunciamos a nós mesmos. Por exemplo, tô com uma apnéia danada, não trato, e ela me faz acordar cansado, o trabalho é intenso, aí já viu...
Nessa linha sou obrigado a lembrar do Thomas Hobbes, filósofo inglês que disse que o “homem é o lobo do homem”. Não li também, não sei bem em que contexto isso foi dito, mas acho que a frase é auto-explicativa: a gente se destrói.
Mas podemos nos “destruir”de várias formas, inclusive pensando que estamos “construindo”. Esses dias vi uma velha conhecida (e olha que não era conhecida velha, hein), que pôs botox. Cara, o rosto dela parecia envolto por aquele plástico filme.
Outro exemplo, o que há com a mocidade hoje em dia, hein? Nossos pais, e até recentemente, as pessoas se casavam com antes dos 30, hoje em dia que faz isso é exceção das clássicas, (acho que to ficando velho)...
Ainda esses dias conversava com sábio pai de um grande amigo que disse que as pessoas hoje em dia estão muito intolerantes, de fato, não há mais paciência no mercado. São tantos brucutus por aí (eu um!), no trânsito nego se estapeia, ihhh, o trem ta feio...
Poxa, se a conexão de internete está lenta, nego xinga com os nomes, mas vem cá, você já parou para pensar que a comunicação entre pessoas era limitado a uma carta, ao correio? E no mundo foi muito tempo assim e estamos aqui até hoje.
Aí você vem e fala: o Mané fica trocentos meses sem postar nada e me vem com papinho deprê? Não, não to puxando esse papo altamente pessimista à toa não, aliás aqui é muito mais copo meio cheio do que meio vazio.
Pô, Thomas Hobbes, que viveu lá pelo Século XVII (ou 17 pra quem não saca de romano), já sabia que a gente mesmo se corrói, se esculacha e somos nós mesmos os maiores adversários de si, com nossas nóias e necessidades desnecessárias, é, aquelas que vemos todos os dias na TV ...
Mermão, então, estamos aqui até hoje, evoluindo, mesmo com toda insegurança e fobia que circundam cabeças menos fortes.
Só depende de nós, último exemplo: tive que confessar um apnéia, poderia ser um “defeito” que exigisse discrição. Mas e daí? Andei pra isso, sejamos autênticos, temos é que nos garantir, sempre, e é aí que seremos fortes, não nossos próprios lobos!
MÚSICA A CALHAR:
"Oh, I'm late again
And I'm so tired, might even get fired.
I could blame it on a cancelled train
But I won't try it, I know they won't buy it." ("Waking up tired" - Hoodoo Guros - cara, na verdade gastei meses para criar um tópico onde pudesse usar esse som, foda!! No fim, o texto até que faz sentido.)
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Ver algo, errado?
Hoje presenciei uma cena insólita. Sério, foi real...
Deixa eu tentar explicar o cenário: o hall do Tribunal de Justiça do ES...
Você entra, à sua frente, um balcão com atendentes que fazem cadastro, à esquerda um Banestes e à direita dois guichês, um de protocolo e outro onde você pega andamentos de processos ... antes deles tem um beco, com dois caixas do Banco do Brasil, enfim...
Estava eu, na fila do caixa do BB... olhando o vai-e-vem, a chegada de servidores, advogados, magistrados e tudo mais...
Para minha surpresa entra um sujeito, com um moicano. Não daqueles altos, espetados, mas raspado, em formato moicano.
Bem, um cara de moicano chama a atenção, mesmo na Rua da Lama ou no Centenário, mas muito, muito, muito mais no Tribunal de Justiça.
Imediatamente pensei: “que estagiário 22, rapaz... aliás, ele está até certo, doido mesmo é o patrão dele que escala ele para vir ao Tribunal...”
Ele vem e pára bem perto, no guichê de andamentos de processos e eu, como não resisto, espichei as orelhas de abano para ver se saía alguma pérola dali, não deu outra...
“Quero marcar uma hora com o Desembargador, quero reclamar sobre uma licitação...”
!!!!???
Acho que são uns 19 ou 21 Desembargadores, e ele nem escolheu um...
Bem, deu pra ver, não era preciso ser um expert para saber que as faculdades mentais da peça não passavam de uma escola de ensino fundamental... ¬¬ (ah, foi boa, vai...).
Rapidamente o atendente o indicou o balcão das atendentes, mas ele foi pro outro guichê, e novamente mandou: “Quero marcar uma hora com o Desembargador, quero reclamar sobre uma licitação...”
Ali o despacho demorou um pouco mais.... enquanto aguardava outro dispenser, o punk dirigia palavras mudas a quem passava... isso mesmo, ele não falava, só mexia os lábios... teve um dizer que eu li, inclusive... ele falou que a gravata do cara era horrorosa (rsrs) ... e olha que era uma preta e lisa...
E foi aí, nesse momento que ele sacou que eu tava manjando a situação, gelei! Mas graças, dei um passo a frente na fila, saí da vista dele e tudo seguiu normalmente, nem sei se ele entrou de fato no TJ ou se a queixa dele teve ouvidos...
Só sei o seguinte – e lá vem mais um mega-clichê, super clichê nesse bloginho aqui:
Pô, se até um zureta, xarope, tem peito de pensar em ter visto algo errado em alguma esfera da Coisa Pública e procurar um canal de comunicação para levar a cabo aquela prevaricação, o que nos impede?
MÚSICA A CALHAR:
“This is Just a punk rock song, written for the people Who can see something wrong!” (Punk Rock Song – Bad Religion).
Ah! Mas aqui, eu juro tá, isso aconteceu hoje... sério, cara louco... deve ser concurseiro.



